quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Passa gente lá fora, e essa gente passa distraída. Trouxas, não vêem nada.
Aqui na minha casa tudo é muito claro pra quem não fecha os olhos. Ainda mais quando fechar os olhos se torna algo difícil.

Já é quase duas e eu tive que sair pra fumar a ponta do palheiro (que hoje é edição luxo, pra descer mais fácil), e como em todo ritual tabagista, me pus a pensar. Me localizei assim que ví o céu nublado. Estou aqui fora, e elas estão todas lá dentro de olhos fechados.
Uma acorda de hora em hora, bota a teta pra fora e amamenta e a outra finge que dorme mas absorve todo o meu dessossego, e fecha só meio olho. Pensa que vai entender alguma coisa só ouvindo os meus barulhos abafados pela tentativa de não acordar ninguém.

Engraçado: Ela tem mania de dar duas voltas na fechadura da cozinha, entre outras. Cheia de manias a coroa, pensa que me engana. Diz ela que sonha em quebrar a rotina. Acontece que minha insônia não deixa ela sonhar direito, e quando acorda esquece de tudo.

Fumei, pensei, tentei de novo e consegui. Agora ela foi também, e nem percebeu que eu deixei a porta aberta - é pra ver se bate uma brisa, um vento, que me leve de volta pro paraíso onírico do sono.

O que a Rosa chama de "solitário carnaval", eu vivo quando paro de reger a cuca e sonho.

Um comentário:

a.r.k. disse...

Solitário paiol.