segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Acompanhada, entra a policial científica vestindo sua farda sutil, e armada com sua munição discreta.
Ela vem pomposa, e com autoridade notável leva a minha mão até a barrilha de tinta - tinge.
Aí eu olho para minha mão e conto: mindinho, seu visinho, pai de todos, fura-bolo, mata piolho. Ela escolhe o último aperta contra o documento de identificação.
Pede meu cartão de identidade e analiza com precisão cada detalhe de meu polegar direito, filiação, nome, sobrenome, naturalidade, local de expedição e finalmente minha assinatura:

- Sou eu mesmo?

- Por hora, é.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Passa gente lá fora, e essa gente passa distraída. Trouxas, não vêem nada.
Aqui na minha casa tudo é muito claro pra quem não fecha os olhos. Ainda mais quando fechar os olhos se torna algo difícil.

Já é quase duas e eu tive que sair pra fumar a ponta do palheiro (que hoje é edição luxo, pra descer mais fácil), e como em todo ritual tabagista, me pus a pensar. Me localizei assim que ví o céu nublado. Estou aqui fora, e elas estão todas lá dentro de olhos fechados.
Uma acorda de hora em hora, bota a teta pra fora e amamenta e a outra finge que dorme mas absorve todo o meu dessossego, e fecha só meio olho. Pensa que vai entender alguma coisa só ouvindo os meus barulhos abafados pela tentativa de não acordar ninguém.

Engraçado: Ela tem mania de dar duas voltas na fechadura da cozinha, entre outras. Cheia de manias a coroa, pensa que me engana. Diz ela que sonha em quebrar a rotina. Acontece que minha insônia não deixa ela sonhar direito, e quando acorda esquece de tudo.

Fumei, pensei, tentei de novo e consegui. Agora ela foi também, e nem percebeu que eu deixei a porta aberta - é pra ver se bate uma brisa, um vento, que me leve de volta pro paraíso onírico do sono.

O que a Rosa chama de "solitário carnaval", eu vivo quando paro de reger a cuca e sonho.
- por que você é um cara de sorte?

- estou ocupado neste momento, já te respondo. você está ai ainda?

- sim, pode falar.

- coloquei isso, como verás, relacionado ao meu trabalho. gosto do que faço, ganho dinheiro com isso, faço amigos, viajo... consegui juntar tudo o que gosto com meu trabalho... é por isso que coloquei isso... por que me perguntas isto?

- fiquei curioso. pensei em todos os motivos que podem fazer de ti um homem de sorte. até foi uma reflexão pra mim, que também sou um homem de sorte, e me pus a pensar no por que?

- legal, tomara que você seja mesmo um... nem todos os homens poderão falar isto. não me leve a mal pelo que vou te dizer, mas na tua família isso não é comum. teus avós, tua mãe, entre outros... ficam só se queixando... sendo infelizes e cheios de problemas... a sorte também e a felicidade, se constroem. tem que se lutar muito por elas. elas não vem do céu.
não sei muito da tua vida, mas se foste para lá a procura da tua felicidade, luta por ela... cada um de nós sabe onde está a felicidade que procura.

- sou sortudo por que estou vivo, tenho saúde, tenho amigos, o sol ainda nasce todos os dias e eu posso assisti-lo quando quiser. sou sortudo por que me contento com o espetáculo do mundo.
mas não acho que essas coisas que te fazem sortudo não tenham valor - só acho que temos valores diferentes.

- somos diferentes sim, mas como eu lhe esclareci, ao começo da nossa conversa, tenho sorte, e sou feliz... considero importante o que você disse, mas temos valores diferentes, obrigações diferentes, e problemas diferentes para solucionar... então você verá quando tenhas quase 40 anos, que o nascer do sol, é muito importante, a natureza, estar vivo, blablabla... mas não terias como desfrutar destas coisas, sendo infeliz no que você faz... mas entendo teu lado... valorizo muito estar vivo(e são sobre tudo). ter pessoas do meu lado que me fazem feliz, e além disso graças a Deus sou feliz no que faço, nem todos tem esta sorte...

- sim sim, eu sei que você é um cara legal. meu único problema com você é o de dividir o mesmo espaço. mas hoje eu tenho chance de morar fora da tua casa, minha ex. por que antes, eu era submisso e novo. faz pouco tempo, mas pra mim faz muito. e eu acredito numa relação melhor entre eu e você agora que não moramos mais juntos.

- ...mas então Tao Luan, na verdade como te disse, me entenda bem, não acho bom morar-mos juntos, e na verdade não quero.

devaneio: "ela é minha base, meu forte, meu porto seguro"

- e essa mudança de cidade... então mais uma vez o que valeu mesmo não foi a grana que eu juntei, mas as coisas que aprendi.

- sim, mas não esqueça que a grana é importante.

- não esqueço não, varias situações me fazem lembrar disso todos os dias. só não tenho pressa.

- então te digo isto porque escutei: na vida não vai ser sempre que farás o que gostas, isso é um erro... tens que fazer uma base, traçar um objetivo e ter metas a curto prazo e a longo prazo, entendes?

- é o que eu farei.

- quem te coloca em baixo das asas é tua mãe, que sempre te deixou fazer as coisas como tu querias... como mãe, segundo minha opinião, ela deveria ter te colocado freio muitas vezes... mas te deixou solto e algumas coisas desagradáveis aconteceram... espero que hoje, pelo teu bem, as coisas estejam diferentes.

- é, e serão cada dia um pouco diferentes.

- eu queria mais tempo para poder digerir as coisas... te conheço desde que tens 8 anos, a idade do meu filho...

- pois, você era um adulto quando me conheceu. e eu era novato, calouro no mundo.

- cara, eu tinha 27 anos...

- eu tenho amigos íntimos com essa idade. devaneio: ou não, nada acontece por acaso.

- ... e ele me pintou um panorama muito diferente da realidade.

- te serviu de aprendizado, e com certeza: você é um cara de sorte.

- vai pegar teu filho na natação, e depois vai pra casa que tem um mulher linda te esperando.
e seja sortudo por isso também, agradece a qualquer um.

- sabe uma coisa que me marcou muito na minha vida aqui no Brasil?

- o que?

- nunca te falei isto. quando eu estava deitado numa cama na casa de vocês, no Campo Comprido, sem poder me mexer (tinha operado minha hérnia de disco), e você veio e me ofereceu um sanduíche de mortadela... me lembro disso até hoje... foi assim que conheci sua mãe... mulher de Áries, e eu de mares.





terça-feira, 30 de novembro de 2010

Estive pensando sobre essa coisa de ser amador.
Acho que gosto
Alias, acho que amo e por isso nunca vou deixar de ser

amador de tudo que faço

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

bebê
mama
mimi
bilubilu
gudigudi


papa






para

já to bem grandinho!

esse menino, nem lembra que mamou na minha teta.
essa mulher, quer andar por aí sozinha e livre de mim.
meu filho quer ser, independente de tudo: livre.

ela não conhece a liberdade dos pássaros

eu não tenho asas, mas eu vôo em revoadas, as vezes só

não tenho carro, e por isso eu não te pego nem te levo

por que tu quer ser livre, mas não quer voar sem asas

acredita? então faz uma "fézinha". tem até o baú da felicidade! qué mais o que?

a liberdade é gratis, mas você é sega, e eu nintendo porra nem Inhumas.


Filhos de Gandhi: torçam pela paz, pela alegria, pelo amor, pelas moças bonitas,
fla-fla,
me-me,
go-gó,
bum-bum,
tim-tim,
maia,
dia-dia,
ora oras bolas, eu só queria um pouco de atenção. Tensão: não posso te levar pra casa no cano da bicicleta, dói - em mim.

sonhá que bão:

- eu fui no mato apanhar flores encontrei você - me leva, me leva, me leva...


sujar o pé na areia pra depois lavar na água



lavar o pé na água pra depois sujar de areia

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É muita consideração de sua parte pensar em mim aqui
E fico muito grato por você deixar claro
Que na verdade não estou aqui!

Por que eu nunca pensei que a lua pudesse ser tão grande



E não me importo se nada é meu,
não me importo se estou nervoso
Farei meu amor no inverno.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

circo de mão beijada

a vida sem calças? me pergunte como.
quem não esconde o rabo que mostre a primeira perna
quem não tem pecado que não mostre nada,
ou que mostre a lingua furada!
Que seja despejada toda a mentira que está guardada,
Adulterados sejam os mentirosos e não as crianças, nem a água.
prender por que os loucos e os contadores de piada?

Parabéns malfeitores, fazem vocês já que eu não faço nada.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tinjo-me romântico
mas sou vadio computador

Só que sofri tanto
que grito porém daqui pra frente


OUTRAS PALA
VRAS

segunda-feira, 12 de julho de 2010

preciso mudar de habitos, preciso mudar de lar,
eu mudo e mudo mas todo lugar parece o mesmo

há sim um lugar novo, mas este está em outro andar.
não é só como pular de sofá em sofá

tem mais a ver com pular do prédio
e subir tudo de novo.


- dessa vez pelas escadas

sábado, 10 de julho de 2010

Quem escreve sobre amor e publica, mostra as cartas. Entrega o jogo.
Esse amor, que na verdade é apelido pra tezão, paixão ou qualquer coisa que te convença
é pretexto pra putaria. Já que a contradição é de natureza humana e que eu apesar achar que sou extra, pouco deixo de ser terrestre, vou escrever poesia pra contrastar a prosa fria que antecedeu o seguinte:

Mariana, que dentes lindos tu tens, e que boca
tens tanto um ar de mãe que quase me sinto um pai ao teu lado
pai de quem nem nasceu

o bipe do celular me acorda de manhã e eu logo lembro do teu rétimo
quase em linha rítmica
como se o teu jardim fosse laranjado a manhã toda

teus retalhos são decoração triste da tua desordem criativa
espalhados pela casa, cobrindo as pontas e os prontos
pra compensar a maquiagem que não usas

é tão bom ouvir o adormecer da tua lucidez
e assistir ao colorido amanhecer da tua loucura
mas teus fatos são chatos, e tua realidade é crua

não me excitas nua
são teus retalhos acostumados uns aos outros
que te tapam e me cegam
e ai eu penso que amo










pindorama








sexta-feira, 28 de maio de 2010

ir e vir
ver e rir
guardar e jogar
fora.

um dia eu te enchi de papéizinhos, com versinhos e tudo que transbordou, enquanto eu borbulhava.
Ai passou. Agora você lê e não chora, e eu choro por que te dei, e agora não posso mais ler.
maldita mania de guardar coisinhas, ou de querer guardar mas dar, e depois não poder pegar de volta.

ver e ir
lembrar e rir
jogar e guardar
dentro.

e o de menos é o papelzinho que eu te dei.

domingo, 23 de maio de 2010



existirmos: a que será que se destina?

Muda, és tão presa.

Não nasceste ainda e pouco sabes sobre o mundo e as palavras.

Eu sei que o teu caso é o tempo passar e é por isso que te deixo ao sol. Sei que és deste mundo e mato tua sede com água pura.

E tudo isso em troca de qualquer coisa que cure a minha falta de saber esperar.

Tolo, tonto, palerma, parvo, papalvo, pacóvio, pascácio, pateta, pato, sonso, tanso, eu. Que desconheço quão bela és a quem paga o preço.